Archive for fevereiro, 2013

Sem título, sem vida

Tempo,
É a fumaça que desfaz, desaparece
É o cigarro se queimando á virar brasa
É um piscar de olhos, e tudo mudou.

É o nascer do sol
As esperanças dele trazer algo novo,
São as promessas ditas e ouvidas
Quais sabemos nunca cumpri-las.

A magoa, a decepção
O andar cabisbaixo que só vê o chão,
O copo que a cada gole se esvazia
O arrependimento
De quem percebeu já não ter mais vida.

É a intensidade da luz a cegar
Acostumando a enxergar na escuridão
É sentir-se sozinho meio ao universo, a multidão

Vai muito além do relógio com ponteiros a girar
Além do piscar de olhos
E os segundos que tomaram o teu olhar.

O que você faz
Que lhe acrescenta alegria
O deixa descansar em paz
E lhe faz querer algo mais ?

Quantas vezes você parou
Em função de observar o luar
Pensando,
Será que outra pessoa pensa em mim ao também olhar?

E de novo o silêncio me envolveu,
Remoendo tudo
Que na minha vida até aqui aconteceu,
Me torturando
Por não ter um local pra correr
E retornando com a velha vontade
De morrer, ou ao menos me esconder.

Não tem nada que eu faça
Que possa preencher o vazio,
Então vou me afogar
No rio das desilusões
E deixar que a correnteza
Me leve para qualquer lugar
Me leve onde eu possa sonhar …

…  Sonhos com possibilidades
De realização,
Onde ouça uma nova canção
Que não façam lágrimas rolar,
Onde eu sinta a liberdade
Toda vez que eu respirar..

Lembro de Marlboro vermelho, Fresno, violão, bipolar, anti social, whisky, cazuza, mas..

Cansei de ver tuas fotos
Cansei de implorar por atenção,
Culpa tua ? Culpa minha ?
Foda-se, o mundo mudou, as coisas mudaram,
Agora olho pro chão
Desalento, desatento
Perdido ao acordar, cada dia mais e mais,
Perdido ao sonhar, apenas espero minha paz.

Sim, eu perdi as minhas chances
Deixei passar o meu momento,
Inocente, infantil
Incoerente, nada eu percebia
Nada contente, a cada dia eu me afastava e nao lhe via.

Desculpas, afinal, você evoluiu,
Junto a todos os problemas, erros, sentimentos..

Eu, estagnado, vazio
Meu mundo preto e branco, meus cigarros
E a solidão.

Viva, a intensidade que há dentro de você,
E não tente me entender
São só palavras, é só o passado
E tudo o que eu fiz de errado, já não sei se posso corrigir,
Já não sei o quanto escrevi,
Mas não basta, não mais..

Continuo aqui, me embriagando, fumando, e no fundo,
Ainda sonhando.