Archive for abril, 2013

Os mornos.

Mas e os mornos, quem gosta do que é morno? Pois eu não!
Não me encantam as almas vazias, tampouco corações sem intensidade, e, em meu mundo não existem ‘meios termos’, assim como é impossível existir a ‘meia verdade’. Ou se é calor, fogo, que aquece e queima, ou se é gelado, frio que tortura, vicia, seja como for, o óbvio é que luz e escuridão não ocupam o mesmo espaço, uma só existe na ausência da outra, assim como, se há qualquer ruído, logo o silêncio foi interrompido, e não existe. Ora pode estar trancado, engaiolado, ora livre, alçando voos, e também nota-se, não há meia liberdade. Para viver precisa-se sentir, e independente de alicerces positivos ou negativos, é isso que mantém vivo.
Embora o presente possa ser visto como o meio termo do passado e futuro, o amanhã não existe, logo o futuro também não, somente existe o passado (atos, palavras, memórias, do imutável que já ocorreu) e presente (este ocorre agora). E o futuro, quando você o descobrir, terá se tornado presente, para marcar o que virá a ser o passado. Concluo, para o tempo não tem meio termo, fala convicto ou cala-te, faz de verdade ou renuncia, e o mesmo vale para os sentimentos.
Joga-te ao precipício, ou escala a montanha, caí para a esquerda, para a direita, mas não caminhas sob o muro, nem por entre dois caminhos, e se estiveres envolvido(a) pela correnteza do rio, é para uma só margem que poderá nadar, costuma ser a mais próxima, mas nem sempre a mais segura.
Enfim, resta-me apenas acender um cigarro, pois não sabia que meu café tornaria a noite diferente, não o beberei, pois ele está morno, não gosto dos mornos.

Renovado

Hoje, ao chorar após a tentativa frustrada de dormir, eu percebi
A poesia vai além da tristeza, além do mar negro da desilusão.
A poesia se renova a cada dia, a cada experiência vivida, a cada copo bebido
Na mesa de bar [como sempre vem a ser]

Hoje eu entendi
Que na vida, de fato, nada ei de entender,
Mas não irei parar de questionar
Nem de sentir, nem de viver.

Talvez, um dia, depois de tantos poemas e boemia
Com cabelos grisalhos, corpo cansado
Acostumado, será tão simples viver. Mas
Sou novo, carrego versos de quem tem muito a aprender
Sou sagaz, e tão intenso, como a chuva de sábado
Ou o céu ao anoitecer.

Eis a hora de não mais beber [para fugir da realidade]
Não se afugentar, agindo como tal desesperado,
Quero deixar-me ser tomado por certa calmaria,
É como a simplicidade do luar todas as noites
[- O que não o deixa menos intenso, nem menos lindo –
Quero, apreciar o fim do domingo na mesa de um bar [o constante bar]
Sozinho, ou na melhor companhia, sem medo
Tomado por minha calmaria.

E, o sol adentra pela minha janela
Me convidando a merecer cabelos grisalhos,
Nem parece que quatro horas passaram
Enquanto eu lia Vinicius, fazia versos, tragava cigarros [e as pessoas repousavam],
O sol que me chama, chamou aos corpos para o trabalho
Até os pássaros saíram de seus frágeis ninhos
Despertam, para cantar um novo dia
E começar com maestria, mais uma semana de dor [a dor é algo normal, comum].

Espero permanecer com esse espírito
Envelhecer como sequer imagino
Entardecer, como aquele mesmo menino
Que vê o mundo com inocência, que sente com intensidade
Que, insano, singelamente dá-te um beijo a testa – ou rouba um de teus lábios.

Ah – um suspiro – como é tão bom lhe conhecer,
Sem pressa sei que terei, o sonho perdido
Qual encontrei e me entreguei á muito tempo.

Eu faço versos, eu sinto, penso, questiono
VIVO, e assim sigo por este caminho
Do encantamento, do descobrimento
No qual vago, sem receio por estar perdido.
Sou um poeta [?].

Meu Vício

Ela é como um vício
Do qual já quis me libertar,
Mas faz-me bem, querer mais
É como uma dependência a me domar.

Deste vício que me consome
Acredite, nunca tomei uma só dose,
Causa-me os mais intenso sentimentos
Grava em mim memórias de cada momento
E faz sonhar com o que está por vir.

Sempre há uma maneira de ligação
E se faz-me doer o peito
Logo, também vicio na dor
E se não durmo quando deito
Indago convicto, esse vicío é um amor !?

Vício, oh meu vício
Fazemos do tempo um constante desperdício
Fazemos do liberdade em nossa mente
Atos de quem está numa prisão,
Encarcerados, nos tocamos somente
Fora da cela, sob o banho de sol,
Que e causa inquietação.

A algum tempo
Abstinência me domina,
Mas não é alcool, não é cigarro
Muito menos cocaína
Que hão de satisfazer
Essa vontade, e não é repentina.

E eu continuo querendo lhe ter..

Em duas, ou mais semanas, tornaste a aumentar meu encanto,
Fizeste riso todo o pranto
E necessário tornou-se cada detalhe,
O olhar que me lançaste ainda não decifrei
Mas teu abraço, teu toque, dentro de mim guardei
(Ainda sinto tuas mãos tocando minha face, teus braços envolvendo meu corpo)

Em meu peito carrego o mesmo desejo
Que em ti existe também,
Trago uma garrafa, cigarros e um beijo
E as palavras que não pronunciei,
Trago as intensas memórias de um passado
Atitudes das quais me arrependo ter tomado,
Mas ora, comigo anda a esperança
De ser a razão dos sorrisos teus
Diz: ” Quem acredita sempre alcança ”
Eu nunca desacreditei num sonho meu.

A vontade de ouvir tua voz
Sentir teu perfume,
Lhe abraçar de surpresa por trás
Arrepiar com um leve toque à nuca
Cochicar ao pé do ouvido confidências,
Ah, só quero contigo, viver a simplicidade de um amor sincero,
Ser a cura para sua dor.

Vamos,
Viver o que sonhamos – Pois o relógio a “tic-taquear’, só anda para frente
O fogo a queimar, quem alimenta é a gente.
O tempo é relativo, e não tem sido bom,
Tudo que não vivo contigo.

Olhe, no mais profundo de meus olhos
E diga, em algum verso eu errei ?

Inquietude há em meu coração
Prestes a uma explosão, me contenho,
Queimo em febre, tossindo como um cão em fim de vida
Acendendo a ilusão, e os mistérios de uma história mal resolvida.

Carência ? Não ! Quem causa isso é só VOCÊ
Um sentimento, que não entendo, que nunca há de morrer,
Não em mim, não assim,
Pois somos uma música sem começo, sem fim.

O que somos nós ?

Noites de terça são as melhores,
Nelas bebo vinho, aprecio o luar em meu caminho
São nas noites – geladas e desertas – de terça
Que percebo não estar sozinho.
E, ao acordar no chão, cercado por quatro paredes
Dentro de mim, pergunto-me “o que somos nós”?
(Acho que outro’ra eu perguntava-me isso
enquanto apreciava teu sorriso.
Teus cabelos negros entre meus dedos permaneceram.)

Somos a entrega que não se emancipa
O olhar que não se prolonga
O abraço que sempre é findado,
Somos o suspiro junto ao pensamento
A intensidade daquele momento
O breve silêncio que antecede
Palavras lançadas, para após
Ouvir tua voz.

Somos a música que nunca foi tocada
Mas sabemos a harmonia e melodia que a tomam,
Somos o livro que jamais foi aberto
Além do prefácio e introdução,
Somos aquele toque singelo – com as costas da mão – deslizando sob a face
Que um dia há de ocorrer.

Somos a paz e a segurança
Abrigo contra a escuridão?
Somos a presença constante na mente
Que preenche o vazio de meu coração?

Somos a evolução do que fomos
Quando não aconteceu o que parecia ter de haver
Ocorrido, enquanto eu era menino
Inocente, mas puro
Em cima do muro, mas não destemido.

Não. Talvez tu saiba dizer com maior maestria
O que somos nós?