Archive for setembro, 2014

Sobre Provérbios 4

Quer adquirir alguma coisa?
Adquiria sabedoria, te entrega a inteligência
e ela não abandonará a tua essência.
Mais que ter é ser,
Valoriza o que lhe emprega conhecimento,
Utilize em abundância o que vem de fontes límpidas,
Ponha um fim aos venenos.
Assim teus passos não irão se embaraçar,
Andarás tranquilo, se correr não irá tropeçar.
Te apegue ao que acrescenta valores a tua alma,
Tenha em suas mãos só o que precisa
e tenha graça para poder sentir a brisa – Ela vem pra refrescar.
Não faça o mal, te desvie do caminho dos maus – E dos que não tem bons caminhos.
Convém mais andar contigo – sozinho, se assim preferir – ao andar com um inimigo
que cega as tuas virtudes, lhe enche de mimos inúteis.
Não seja impiedoso, nem violento.
A bondade vale mais, a compaixão é o maior adendo.
Não esqueça de estar atento ao que fala e ao que pensa – Reflita.
Algumas coisas (a grande parte delas) devem ser guardadas
no íntimo do teu coração,
Sobretudo, guarda o teu coração perante esse imundo mundo,
pois ele é tua fonte mais pura.
Não profira perversidades e falsidades,
seja sincero com os que lhe rodeiam, seja sincero com você mesmo.
Atenta também aonde declina teus ouvidos, nem tudo lhe convém,
Com os olhos da alma, olhe para frente – se olhares demais para trás pode cair.
Segue tua vereda com passos ordenados,
e irá colher os teus frutos,
Não decline para a esquerda ou para a direita
se queres chegar aos teus sonhos de criança
quando adulto.

Eu e você sob a perspectiva da realidade

Espero acontecer o que não vai,
fico com a janela aberta
e sua luz acesa me ofusca os olhos.
Me sufoca o ar – Pode soar estranho, mas é isso mesmo, o ar me sufoca.

Parece que me direciono da maneira errada,
mesmo quando só tento agir corretamente.
Meus pensamentos e sentimentos já não valem nada
além de escrever poemas que me escorrem pelos dedos.

Eu eufórico,
Você calada.

Eu interessado,
Você recuada.

Eu lanço palavras buscando construir uma ponte,
Você lança silêncio, ignora, da sua maneira educada.

Intensamente aumenta a vazão da minha fonte,
Você parece preferir estar numa cabana, sozinha, – ou com outro alguém – a meia altura daquele seco monte.

Eu sou louco[?],
Você comportada.

Eu sou índio,
Você é monge.

Eu quero perto,
Você caminha um pouco mais longe.

Eu quero o abraço da chegada,
Você quer acenar e ir.

Eu comum,
Você rara.

Não tem razão pra ideia que virou sentimento
e invadiu o peito
sorrir.
Não tem coesão,
talvez ela não deva sequer existir.

É ilusão,
e eu estou cansando de mentir pra mim.

A poesia

Me parece que minha eterna namorada é a poesia.
Quando estou sozinho ela ma faz companhia,
quando estou carente ela me abraça nas noites frias
e quando não sei o que falar, ela diz por mim.

Ela está em tudo,
sou preso nela e ela livre d’eu,
e só ela me compreende do início ao fim.

É verão e ela me mostra a beleza,
chega o inverno, a poesia me acompanha mesmo na tristeza.

Ela vem, cavalgando em minha mente,
esclarecendo o que a intensidade cega,
relevando o que ninguém revela,
trazendo à luz o que habitava nas trevas.

Ela me dá o que eu não posso ter,
transforma em versos o que morreu
e em mim todo dia está a renascer.

A poesia me alimenta quando tenho fome,
me torna a sentir como criança as coisas belas
e diminui as cobranças que existem sobre o meu homem.

Me põem calçados quando não consigo caminhar,
me traz esperança e convicção pra realizar.

A poesia é minha meditação,
é minha euforia, meu vício
e parte da minha paixão.

Meu diário, mas não carece de calendário,
meu lixo e meu armário,
onde esqueço o que é preciso
e eternizo o que é de valor, talvez um pouco raro.

A poesia é a vida feita com maestria.

Saudade

Saudade é egoísmo[?],
afinal, quem [ou o que]  pertence a nós?
Nunca fomos donos de nada, além dos sentimentos que temos no peito,
das ideias despretensiosas que ocorrem em nossa cabeça.
Ás vezes penso na saudade como um choro por algo que não é palpável,
um sonho distante, irrealizável.
Mas o que a saudade é de fato
além do salgado que escorre dos olhos?
“mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor”.
Então é isso que causa essa dor
que é uma constância a aumentar!?
Saudade, o sentimento mais universal que qualquer outro,
a ferida que não cicatriza,
a sensação de que poderia ter sido ao menos mais um pouco
vivido mais intensamente.

Sinto saudade de tantos momentos,
tantas vidas que cruzaram com a minha
e depois partiram – nunca houve despedida.

Tudo deve ter uma razão
mesmo que incompreendida.
Cada qual segue sua trilha de constantes partidas
até que haja o cumprimento de sua missão.
Se não for assim, ao menos idealizo dessa forma.

É difícil, nesse contexto, predominar a aceitação,
afinal, não controlamos nossos sentimentos – É óbvio, Se não temos controle sobre o amor, tampouco sobre a dor.
E saudade, na essência, não tem coesão,
não traz nada nem ninguém de volta.
Talvez, seja apenas uma forma de eternizar o que foi bom,
de dar continuidade dentro de nós ao que não está mais a nossa volta.
Por isso saudade se torna um vício, é um jeito de sentir e reaproximar – Arrisco dizer que é uma maneira de ter a presença daquele que se foi,
mesmo que seja de certa maneira fictício.

Saudade,
a esperança do reencontro diante do infinito,
o céu imenso, tão lindo.

Ainda sinto saudades
mas persisto.

Não, o medo não pode representar você.

O medo tirou-me tantas coisas
por receio de fazer revelar, acontecer.
O medo me pressionou, errei nas escolhas,
corri desesperado para o lado errado,
quando notei
por culpa do medo caí em um buraco – Mas já o escalei, agora para o alto da montanha escalo, depois voar aprenderei.

O medo invadiu meus pensamentos,
fez do mundo um tormento
e da vida um sofrimento.
Responsabilidade minha,
ser dominado pelo que não deveria, eu deixei.
Acuado, quase sempre desistia
e não me permitia o direito de dizer: Eu tentei!

Tudo mudou
quando tomei meu posto, tomei ciência,
o medo apequenei e permiti ir embora todo o desgosto.
Aos desejos do meu coração me entreguei,
pra ter coragem é preciso confiança,
não nos outros, nem nas respostas,
mas no que há dentro de você – A verdadeira resposta você carrega contigo.

Pra sonhar é preciso esperança,
convicção no sentir e no querer,
mais atitudes e menos cobranças…
É assim que eu aprendi com o verdadeiro rei.

E só quem é humano diz
“eu errei”,
e quem tem alma grande, espírito livre,
coloca o medo no bolso – Aquele bolso que a gente sempre esquece o que tem.

Aprender com os erros é fundamental,
ter medo é normal, desde que seja menor que qualquer ambição sua, menor que a ousadia que tu lança dia a dia.
Mas quem não tenta não erra – muito menos acerta, ou se aventura –
não aprende, não cresce.
Vale a pena se esconder? Por medo, silenciar e não viver?

Hoje meu único grande medo é agir e ser
da maneira que eu jamais imaginei,
é não alcançar o que eu planejei
e me desviar da trilha que eu tracei.

Largue o medo, venha ser puramente você,
largue o medo, venha ver a beleza que tudo pode ter.
Largue o medo!
Como disseram os poetas contemporâneos
“você é o único representante do seu sonho aqui na terra”
e “o medo cega os nossos sonhos”.

Oh primavera

Vem a primavera
me fazer feliz,
vem pra renovar o que há de melhor em mim,
pra fazer nascer o que é belo,
os sentimentos, o perfume do que é maravilhoso.

Primavera,
quero apreciar as tuas flores,
ser contente ao ver nascer os teus amores – Quem sabe, nascer o meu amor.

Quanto encanto,
um ipê brilhando,
um beija-flor se aproximando
vem mostrar sua beleza.

É tão lindo,
o céu parece estar sorrindo à sua chegada,
venha dominadora,
as árvores estão preparadas
para usufruir do teu esplendor,
para esquecer que há uma seca, uma constante dor.

Primavera
vem me inspirar!
E traga uma chuva
para molhar meu ar,
uma chuva, qual possa minh’alma limpar.

Seja intensa
como a maior da paixões,
chegue imensa
irradiando os corações.

Primavera, és tão perfeita e natural,
pena que, pra muitos tanto faz, pra outros é banal.
Me desculpe,
mas trocaria o verão, o inverno
qualquer estação, inclusive você,
por um ‘me perder nos olhos dela’,
que são os mais lindos, que denunciam um universo
onde ei de habitar…
Oh, primavera.

Mais que um desejo

Teu olhar perdido no meu,
quero conhecer e eternizar teu cheiro em mim,
passei até a pedir pra Deus
qualquer momento feliz junto de ti.
Passar uma tarde inteira deitado num gramado contigo,
admirando a tua beleza,
lhe dar mais que uma flor, lhe fazer um jardim.
Abraçar as tuas pernas com as minhas,
te dominar por uns instantes,
cobrir de beijos tua boca, face, alma,
deixar dominar a calma
e só viver o que a tempos estou a sentir…
É uma pena [ou uma dádiva?],
todo poema feito sem você aqui…
Toda as cenas que sinto saudades,
e continuam  guardadas em minha mente
esperando pra se tornar história, não vã criação.
Tenho vivido tudo são até demais,
estou desacostumado, queria confundir esse marasmo com paz.
Venha meu xodó, sem pena ou dó,
sem correntes, um laço fica bem melhor…
Estou cansando de parecer tão chato,
de fazer igual um gato,
me esfregar nos teus pés em troca de carinho, atenção.
Não deixe morrer este sentimento tão belo,
não deixar acabar o sonho deste elo…
está complicado o teu recuo educado,
o teu ignorar
quando as palavras mais sinceras – vindas do coração – eu te falo…
Devo calar tudo isso? Deixar que se escorra pelo ralo
da realidade?

Careço da tua presença,
viver junto de você uma plena verdade…
Careço de ânimo
para não fazer poemas sem fim…

Sábado com chuva

Houve um tempo em que sábado chuvoso parecia ser feito para brincar,
na rua, ou no quintal,
importava encharcar a roupa
e fazer barquinhos de papel pra enxurrada levar.
Depois a mãe vinha, feito louca,
Já pra dentro! Está querendo se gripar?
E eu voltava correndo.
Um banho quente, aquele leite achocolatado,
só pro frio passar.
Enquanto a chuva não se fosse
a molecada da rua de reunia,
era nintendo64, ou ver um filme,
descompromissados com o tempo a passar.
Saudades da infância,
suave e doce…
Não vai mais voltar.

Este sábado chuvoso, hoje, me parece ser feito pra pensar.
Lavar a louça, ouvir um blues,
passei a preferir um café
enquanto assisto o asfalto a se molhar.
Já que não tenho meu amor, teu olhar,
são as cobertas que uso para me esquentar,
abro algum livro,
Mário Quintana, Flora Figueiredo, Vinicius De Moraes…
vieram me entender, me visitar.

Na essência nada muda
só troca de lugar,
mas as crianças de hoje não saem na rua,
a minha criança prefere a comodidade de estar num lar – Outros mataram as suas crianças, em troca de doses em qualquer bar.

É, sábados chuvosos – Embora raros – continuam a me encharcar
com as palavras que saem dos armários,
com os versos que ainda tenho de pintar.

Sem silêncio não há reflexão

Aquele momento de silêncio quer dizer algo – quero dizer algo.
Melhor não, por agora eu me calo,
deixo guardado
como um dia já deixei – Dias, meses…

De uma maneira complicada
tudo acontece para mim.
Renúncias, passos falhos,
levanto sempre, mesmo atordoado, não fico onde caio.
Se eu ‘explodo’ entusiasmo,
ás vezes também me retraio.
Fogo demais queima, apesar da beleza
nem todo dia deve haver raio,
Somente raios de sol.

Mas também não calo,
o calor do peito quer mais – Eu digo demais.
Mais que palavras, careço da realidade de atos…

Chega à parecer divino,
durmo e acordo tão bem
quando contigo falo,
o céu fica limpo, tudo inspira,
e não há quem prefira outra sensação além dessa.
Pareço até um menino
que foi tocado pela primeira vez pela paixão.
Um surdo, que pela primeira vez ouviu o som dos sinos.

Espaço vou lhe dar,
para talvez sentir, ou então pensar,
pode ser difícil, é que na maioria do tempo
nem percebo o quanto isso possa ser chato,
acaba que: nem me controlo, lanço qualquer coisa
que mostre o quanto quero compartilha-lo – O sentimento, o desejo de saber como está sua vida.

De repente senti esse marasmo,
voltei um pouco pra onde tudo é raso,
e um pouco coerente, tomei ciência do que faço.

Mas por agora, já disse,
talvez seja melhor deixar guardado…

Vomitando poesia

Não quero deixar você enjoado,
mas eu como poesia,
vivo poesia…
e o tempo todo poesia eu vomito.
Ás vezes acho até chato,
ninguém é obrigado a ler o que sinto ou o que vivo.
“Ele não cansa de escrever?”, “Mais um poema?”.
Enquanto dentro de mim, só risos.
A inspiração me toca de tal maneira,
chega a ser extremamente ridículo.
Mas uns gostam de beber,
outros de esquecer,
Uns fazem música,
outros ouvem,
Uns vivem,
outros representam.
Eu escrevo, o tempo todo…
me interessa que é puro tudo isso.
Peço perdão aos que não gostam,
mas me casei com a poesia,
e entre meus maiores desejos
está: conquistar a escrita com maestria,
aumentar minha visão, meu vocabulário,
falar mil idiomas, e atingir o alvo.
Alvo que é você,
que mesmo enjoado, até o fim desse poema
esteve a me ler.

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