Archive for dezembro, 2014

Confuso

Os dias varridos do calendário
Foram jogados ao mar do tempo

Janelas e portas se abriram,
Se fecharam
Dos armários saíram histórias,
As mesmas lembranças que faziam sorrir
Agora choram à distância,
Perpetuam a ausência.

As palavras são apagadas pelos calmantes
Os problemas – a vida – parece irrelevante…
Tudo é passageiro e acaba.
Toda paixão traz consigo uma adaga
Pra cravar no peito e causar tormento.
Intenso e leeento.

A ideia é fixa
O sentimento ridículo
Os poemas esdrúxulos…

A aventura errante.

Inspiração no chão,
Paixão contida.
Asfixiando os versos
Enquanto a poesia ainda vida,
Afogando os desejos
No copo queimando
Com gasolina.

Às Vezes…

Às vezes cansa.
A dor de cabeça é tanta
Que nada parece resolver.
Os olhos queimam,
Faz-se um nó na garganta…
E as vontades se encolhem em um canto escuro
Do porão
Para serem esquecidas.

A intensidade estática
Se junta à promissora inércia
Da sensibilidade.

Nada feroz, nada agressivo,
Nada excitante, nada suave…
Tudo tão estranho aqui,
Num marasmo, com um tédio envolvente…

Assim se esvai mais um dia do calendário,
Escoando pelo ralo
Dos relógios…
Ecoando os pensamentos nossos,
Ruminando o alimento
Que todo mundo come só.

E o que sobra
Além dos grilos e as estrelas?
Jazz, café…
E um monte de planos
Sem a menor pretensão de ocorrer
Além de em mim.

Ah…
Reticências que tem muito a falar.

Vem, Vou

Vem, a vida voa.
Um passeio leve,
um filme, uma fuga pra esse dia maldito.
A semana não devia ter nascido
nessas condições extremas.
Faz de conta que sou seu melhor amigo – amizade é um forte, é um abrigo…
Faz de conta que eu tenho sorte
e que hoje é domingo.

O que há contigo? Como foi o dia?

Vem.
Água de coco e cabeça fria…
Relaxar um pouco
e esquecer da vida…

Amanhã vai dar tudo certo,
fique tranquila…
Mas hoje,
se você não vem,
vou por aí
sozinho

Sem rumo, sem caminho.

Mentiras

Um livro de filosofia*,
Uma música que cante o que não sinto,
Ou a calmaria e o conforto que não há no silêncio
que não tenho.

A paz mundial plena,
A sociedade amena.
O impossível…

Os sonhos inúteis,
Sentimentos fúteis.
Medos criados, porém inexistentes.

O fim das disputas.
O amor é a multa.

A intensidade cega.
A hipocrisia do que prega
Estacas no peito alheio
numa moral vã;
Verdadeiramente irracional.

A tristeza, ou/e o clima falsário, sazonal.
Posição imparcial.

O título, o frasco.
A revista, o artigo, o jornal…

A mentira que você escolher.

A bolha, pressão.
A bomba, explosão.

Errado

Engolia cada palavra e as empurrava goela abaixo
com a fumaça dos cigarros.
Usava os versos como um canudinho
para respirar debaixo do mar de sentimentos que inundava seu universo.
Andava em grupo para ver que havia gente pior que ele.

Mudou.

Vomitou as palavras na face das pessoas.
Sufocou-se com a poesia.
Morreu sozinho no deserto da amargura.