Archive for agosto, 2015

Relâmpago

No primeiro contato me atacou –
tinha sede e fome do que é selvagem –
me mordeu. Dilacerou minha falsa paz
e desatinou velhos dilemas, alguns ideais
e o que restou tanto faz.

[inacabado]

Diversas garotas, sentimentos
e momentos.
Diversos olhares me encontram nas ruas,
me entregam cartas
e minha mente desnuda
no silêncio que ecoa nas madrugadas.

Todos os homens parecem tão iguais.

Todas as horas são extremas
Tudo é passageiro – qualquer dilema.

O pretérito imperfeito é tedioso.

Instintivo

Teus olhos
Tua boca
Teu cabelo
E teu cheiro
Não cabem nos poemas, nas palavras.
Nem no meu exagero.

A voz
Os gestos
Os desejos.

Eu já sabia do perigo.
Mesmo assim repousei a testa na arma,
Pedi para que puxasse o gatilho.

“Crack”. “Pow”.

Restou só o coração
e seus impulsos desprovidos de recepção.

A percepção:
Descanso em teu sorriso
quando me beija e empurra – como quem nega algo só pra provocar.
Você se diverte. Eu quase perco o ar.

Selvagem. Instintivo. Livre.

Verdadeiramente vivo.

“A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A ponto de não caber nas palavras.”

Jorge Amado

Meu mal

Vício voraz
Teu beijo
Que roubou minha paz,
Despertou desejo.

Lampejo, fogo
Labaredas queimam na escuridão – Uso o calor pra acender mais um cigarro.

Vinho, uísque…
Tanto faz.

O abismo é escuro e inexplorado,
O perigo é nato. Sedutor.

A aventura chama,
Só quero me perder.

Ardil. Fugaz.
O veneno nas entranhas
Pode sufocar.

A real liberdade
Está em ser selvagem.