Archive for setembro, 2015

Não sei que título colocar

Nesse quarto de hospital
meia luz  adentra a janela e toca meus pés
enquanto os pombos me visitam todas as manhãs – odiei pombos por toda minha vida.
Enfermeiras vem me medicar
e o doutor confere meus batimentos, minha pressão, minha sanidade.

O dia passa assim, solitário.
Toda semana chega e vai embora uma outra história
e troca o companheiro do leito ao lado.

Os últimos meses tem sido tão apáticos.
Sobre mim paira uma falsa paz
e na mente jaz
lembranças da minha juventude e do meu amor (que já se foi).
Minha única saudade é de quando eu passava o café e ela me abraçava por trás, sem precisar dizer que me amava.

A morte vem
dançando lentamente pelos corredores,
espiando os pacientes e sorrindo
horrores da sua beleza.

Vem massagear meu peito
e sutilmente ela arranca os fios do meu cabelo.
Sentada na poltrona em minha frente
fita meus olhos fixamente
enquanto a pneumonia avança e me faz tossir.
Noite passada a dama temida assoprou meus braços, me arrepiou.

Ela prometeu voltar uma hora dessas
me dar um beijo, pegar minhas mãos
e me levar pra passear.

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Dedico esses versos à um senhor DESCONHECIDO, cujo a cuidadora falava dele na fila do mercado.