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A gente não dorme

A gente não dorme.
Os olhos queimam, o silêncio grita
E incomoda a tosse.
 
A gente não dorme
Ruminando sonhos, procurando planos
Tentando encontrar uma ordem.
 
A gente não dorme
E liga a TV pra afastar a solidão.
Toma café, acaricia o gato.
Engole a seco a medicação.

Amo

Amo cada célula do seu corpo,
o jeito de me persuadir, de me entender.
Amo o seu sorriso de garota louca
e a tua essência de resistência
à essa sociedade trouxa.
Amo tua pele, teus cabelos,
tua voz.
Amo teu cheiro
a me envolver.
Seu abraço é como um abrigo
e dentro dele o resto não importa
Pois tenho você comigo.
Amo deitar ao teu lado,
ficar emaranhado pelos teus lençóis…

Vesti minha armadura
pra abraçar tua luta.
Mantive a postura
enquanto um terceiro te levava por outras ruas.
Te procuro em vários rostos
Em cada esquina
e ao olhar a lua.
Estar longe é um desgosto enorme
e enquanto a mente sonha
o corpo dorme
a batalha diária continua.

Poema espontâneo

Palavras,
Infinitas palavras
São, às vezes, tão pouco.

Todas as horas
De um dia, uma noite, uma semana
São, contigo, tão pouco.

Os abraços não cabem nos calendários.
O toque singelo não guarda promessas.
Os beijos são multa do nosso jeito de viver sem pressa.

Posso passar horas lambendo teus olhos com os meus olhos.
Cheirando tua pele, esfregando a barba em seu pescoço
Enquanto nada penso
Além de viver o aqui e o agora. Eternizar em mim os momentos..

Quando te conheci…

Eu ia em busca de sei lá o quê,
Fui curioso e sem esperanças de me entreter.
Tava tudo tão estranho aqueles dias,
Dias infernais, noites muito frias.
Você negou à mim,
Não esperava mais pelo que viria.

Quando conheci você
O sol brilhou mais forte
E o eu me encantava mais a cada vez que você sorria.
Me senti um cara de sorte
Por sentir e viver aquele momento e êxtase e alegria…

Foi um foda-se geral.
Foda-se motorista, cobrador e passageiro.
Foda-se quem tá na pista, quem tá a pé, quem é pobre ou quem tem dinheiro.
Foda-se o mundo inteiro!
Pois me puxou pela barba, me beijou.

Enquanto o nosso fogo esquentava – já queimava –
Todo mundo se chocou.
Comentários. Muita gente amargurada.

E você conseguiu o que queria:
Me incendiou!

Não sei que título colocar

Nesse quarto de hospital
meia luz  adentra a janela e toca meus pés
enquanto os pombos me visitam todas as manhãs – odiei pombos por toda minha vida.
Enfermeiras vem me medicar
e o doutor confere meus batimentos, minha pressão, minha sanidade.

O dia passa assim, solitário.
Toda semana chega e vai embora uma outra história
e troca o companheiro do leito ao lado.

Os últimos meses tem sido tão apáticos.
Sobre mim paira uma falsa paz
e na mente jaz
lembranças da minha juventude e do meu amor (que já se foi).
Minha única saudade é de quando eu passava o café e ela me abraçava por trás, sem precisar dizer que me amava.

A morte vem
dançando lentamente pelos corredores,
espiando os pacientes e sorrindo
horrores da sua beleza.

Vem massagear meu peito
e sutilmente ela arranca os fios do meu cabelo.
Sentada na poltrona em minha frente
fita meus olhos fixamente
enquanto a pneumonia avança e me faz tossir.
Noite passada a dama temida assoprou meus braços, me arrepiou.

Ela prometeu voltar uma hora dessas
me dar um beijo, pegar minhas mãos
e me levar pra passear.

—————————————–

Dedico esses versos à um senhor DESCONHECIDO, cujo a cuidadora falava dele na fila do mercado.

Relâmpago

No primeiro contato me atacou –
tinha sede e fome do que é selvagem –
me mordeu. Dilacerou minha falsa paz
e desatinou velhos dilemas, alguns ideais
e o que restou tanto faz.

[inacabado]

Diversas garotas, sentimentos
e momentos.
Diversos olhares me encontram nas ruas,
me entregam cartas
e minha mente desnuda
no silêncio que ecoa nas madrugadas.

Todos os homens parecem tão iguais.

Todas as horas são extremas
Tudo é passageiro – qualquer dilema.

O pretérito imperfeito é tedioso.

Instintivo

Teus olhos
Tua boca
Teu cabelo
E teu cheiro
Não cabem nos poemas, nas palavras.
Nem no meu exagero.

A voz
Os gestos
Os desejos.

Eu já sabia do perigo.
Mesmo assim repousei a testa na arma,
Pedi para que puxasse o gatilho.

“Crack”. “Pow”.

Restou só o coração
e seus impulsos desprovidos de recepção.

A percepção:
Descanso em teu sorriso
quando me beija e empurra – como quem nega algo só pra provocar.
Você se diverte. Eu quase perco o ar.

Selvagem. Instintivo. Livre.

Verdadeiramente vivo.

“A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A ponto de não caber nas palavras.”

Jorge Amado

Meu mal

Vício voraz
Teu beijo
Que roubou minha paz,
Despertou desejo.

Lampejo, fogo
Labaredas queimam na escuridão – Uso o calor pra acender mais um cigarro.

Vinho, uísque…
Tanto faz.

O abismo é escuro e inexplorado,
O perigo é nato. Sedutor.

A aventura chama,
Só quero me perder.

Ardil. Fugaz.
O veneno nas entranhas
Pode sufocar.

A real liberdade
Está em ser selvagem.

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