Poema pra 20 segundos

Vou transbordar o teu aquário
até que ele vire mar
de água doce
pra eu poder me afogar.

Esperar

Fiquei esperando
Alguém se decidir,
O velho amigo vir me visitar,
Aquela garota me ouvir falar,
e a outra vir pra cidade só pra passear.

Esperei o pôr do sol.
Esperei o sol raiar.

Deixer passar uma semana,
quando vi tinha passado um mês,
um ano…
E todas as palavras levianas se perderam pelo ar.

Esperei muito. Esperei demais.
Nessa espera tonta fui deixado para trás.

Decidiu-se tarde.
O amigo morreu.
A garota triplicou seu ego e esnobeceu.
A do passeio viajou, está mais perdida do que eu.

Esperei um abraço,
um sorriso, um olhar.
Esperei uma palavra, deixei um aviso
e fui trabalhar.

Nada faz sentido.
As pessoas dizem
sem a pretensão de realizar.
Fingem
mas as atitudes denunciam o que a essência quer falar.

Esperei. Enlouqueci. Mudei.

Procurei o sentido da vida
e só no amor pude o encontrar.
Mas o amor estava sufocado
entre os carros e avenidas,
trabalhos, estudos, planos de vida.
O amor não tinha espaço
entre as ideologias, ideais,
leis e divergências reais.
O mundo está insano, o amor em segundo plano.

Agora jaz.

O que eu esperava queima
no inferno da alma.
Não espero mais!

Mil poemas dentro de mim
E não cabe às páginas decifrá-los.

Meditação, silêncio
Calmaria e um incenso
Pra fechar os olhos e me entender um pouco mais.
Menos niilismo,
Mais ousadia,
Mais amor.
Tragar só paz…

Sem paixões não há inspiração.
Sem sofrer não há refrão…

Quem é você
Que me lê mas não fala comigo…
Me ouve sem me dar ouvidos,
Some enquanto estou sozinho.

Quem é você…

A viagem do blues

Ela beija outra boca
Arruma outra paixão,
Corta o cabelo
E troca a roupa
Pra construir outra ilusão…

Ela é louca
E só precisa de atenção.
Um dia girl angelical,
Anoiteceu e com batom vermelho
Quer me levar pra perdição.

Vem me devorar,
Deixa eu queimar você.
Tanta coisa acontecendo o tempo todo,
Vamos esquecer!?
Toma um drink,
Me dá um trago do teu beijo
E depois
Muito rock’n’roll…

E se o sol raiar,
Um banho juntos pra acordar.
Mas quando der a hora
Volto acreditar em mim
E que a melhor história
É aquela que não começa,
Pois nunca terá fim.

Uma escolha suspensa
Nas madrugadas de insônia,
Entre a aflição
E  a perversão.

Sem hora ou data pra voltar,
Sem palavras pra jogar ao ar.
Sem desatinar.

Sem aurora,
Sem luar,
Sem fruto, flor.
Secou o mar

E o que ficou é quase nada.

No momento certo a poesia vem,
O vento volta a soprar…

Confuso

Os dias varridos do calendário
Foram jogados ao mar do tempo

Janelas e portas se abriram,
Se fecharam
Dos armários saíram histórias,
As mesmas lembranças que faziam sorrir
Agora choram à distância,
Perpetuam a ausência.

As palavras são apagadas pelos calmantes
Os problemas – a vida – parece irrelevante…
Tudo é passageiro e acaba.
Toda paixão traz consigo uma adaga
Pra cravar no peito e causar tormento.
Intenso e leeento.

A ideia é fixa
O sentimento ridículo
Os poemas esdrúxulos…

A aventura errante.

Inspiração no chão,
Paixão contida.
Asfixiando os versos
Enquanto a poesia ainda vida,
Afogando os desejos
No copo queimando
Com gasolina.

Às Vezes…

Às vezes cansa.
A dor de cabeça é tanta
Que nada parece resolver.
Os olhos queimam,
Faz-se um nó na garganta…
E as vontades se encolhem em um canto escuro
Do porão
Para serem esquecidas.

A intensidade estática
Se junta à promissora inércia
Da sensibilidade.

Nada feroz, nada agressivo,
Nada excitante, nada suave…
Tudo tão estranho aqui,
Num marasmo, com um tédio envolvente…

Assim se esvai mais um dia do calendário,
Escoando pelo ralo
Dos relógios…
Ecoando os pensamentos nossos,
Ruminando o alimento
Que todo mundo come só.

E o que sobra
Além dos grilos e as estrelas?
Jazz, café…
E um monte de planos
Sem a menor pretensão de ocorrer
Além de em mim.

Ah…
Reticências que tem muito a falar.

Vem, Vou

Vem, a vida voa.
Um passeio leve,
um filme, uma fuga pra esse dia maldito.
A semana não devia ter nascido
nessas condições extremas.
Faz de conta que sou seu melhor amigo – amizade é um forte, é um abrigo…
Faz de conta que eu tenho sorte
e que hoje é domingo.

O que há contigo? Como foi o dia?

Vem.
Água de coco e cabeça fria…
Relaxar um pouco
e esquecer da vida…

Amanhã vai dar tudo certo,
fique tranquila…
Mas hoje,
se você não vem,
vou por aí
sozinho

Sem rumo, sem caminho.

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